FRUTICULTURA IRRIGADA: VULNERABILIDADES E PERSPECTIVA DE PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

Code: 483-727
71
173
Título

FRUTICULTURA IRRIGADA: VULNERABILIDADES E PERSPECTIVA DE PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

ISBN

978-65-5360-354-7

DOI
10.37885/978-65-5360-354-7
Publicado em

19/06/2023

Páginas Capítulos Volume Edição

182

11

1

1

Organizadores:
  • Stefânia Evangelista dos Santos Barros

    Barros, Stefânia Evangelista dos Santos

  • Márcia Bento Moreira

    Moreira, Márcia Bento

Apresentação

As imagens e paisagens do mundo rural sempre nos foram apresentadas repletas de vida, beleza, tranquilidade (paz e sossego) e muita diversidade biológica (vida), assim se constituiu o imaginário coletivo e quando instados a refletir ou retratar a natureza nesta viagem de recordação (qual odisséia virtual) cheia de nostalgia, verifica-se que ao longo da história, o campo e a agricultura sempre ensejaram uma ODE ao belo, natural, equilibrado e diverso com relação à vida animal, vegetal e microbiológica, habitando um meio físico cujas águas eram límpidas e cristalinas com campos cobertos de florestas, ar puro e fresco, árvores frondosas e de copas largas e enorme vida animal extremamente diversificada e tudo e todos em perfeita harmonia, qual o descrito no “Jardim do Éden”. Esta tranquilidade é rompida pela chegada da máquina da velocidade e de uma febril e insone vontade em estado de agitação dos humanos em inaugurar o “moderno” o “tecnológico” o visceralmente “produtivo”. Uma epidemia de resultados materiais se apodera vorazmente da vida humana, a escala toma conta dos processos e a era industrial nos atinge mortalmente, quedamos assombrados pelas tecnologias mecânicas, químicas e físicas, todas de uma vez, numa síntese invulgar, mas como cópias “mal nutridas da natureza”. Os humanos agrupam-se nas cidades e nascem imensas demandas por bens e serviços que requerem mais agitação, mais mecanicismo, mais “idolatria à tecnologia” com o aumento vertiginoso que tais desafios ocasionam aos sistemas agrícolas de produção ainda incipientes em escala, impactos e custos. Para operar nos limites das necessidades humanas a natureza precisaria ser dominada e colocada à serviço da produção, instituindo-a como base material indispensável de modo a edificar modelos que após conhecidos em suas entranhas e mecanismos pudessem reproduzir às vontades materiais e por óbvio, tudo, com a justificativa de que fazia-se para atender às necessidades sociais, fruto do crescimento demográfico e da urbanização que se iniciava, enfim justificava-se assim, para melhorar a vida e torná-la mais confortável. Assim a ciência e o conhecimento tecnológico alteraram a ordem dos fatores: trabalho, terra e capital, invertendo-os com seu forte advento, à lógica natural e submetendo os humanos e a natureza, ao capital. A agricultura, como base da civilização se instala na forma originária há cerca de 10 mil anos atrás, e no seu evoluir, passa por profundas alterações como resultado do conhecimento tecnológico que atinge a “deep nature” das coisas, dos seres vivos e do ambiente. Humanos são substituídos por máquinas e florestas “cedem” lugar aos imensos plantios, terras são drenadas para agricultura e ocupação humana, criações extensivas surgem em imensas áreas com derrubada de áreas de matas de diferentes biomas e ecossistemas o êxodo rural se intensifica e as cidades crescem sem qualquer infraestrutura ampliando as desigualdades por bens, serviços e oportunidades econômicas. O campo migra e a pobreza aumenta, cultivar plantas e criar animais obedece cada vez mais ao impulso mercadológico que é “natural” pelo crescimento demográfico, mas insensato na sua distribuição e alcance sociais agravado pelo artificialismo da era industrial fundado nos adventos das transformações e avanços da química, física e biologia que erguem às bases da chamada “AGRICULTURA MODERNA”, que por sua vez, assenta-se nos pressupostos de amplas e variadas tecnologias das áreas da motomecanização intensiva, engenharia genética e agroquímica e estas premissas serão doravante, às bases do que se cognominou “GREEN REVOLUTION” impactando poderosamente o processo de produção agrícola e sentenciando a agricultura a nunca mais ser à mesma. A agricultura passa a ser em certa medida, um produto ou resultado do que empresas privadas nacionais e transnacionais do que se designa como “COMPLEXO DO AGRO” estabelecem nos diferentes centros de decisão do capital financeiro associado ao capital industrial e à C&T desenvolvida por eles em sua grande maioria. O desenvolvimento do parque de insumos impacta sobremodo a agricultura e invade o mundo rural, não sem provocar abruptas transformações. O Saber e a Ciência transnacionais cujo fito é a obtenção exclusiva de resultados econômicos ignora outros elementos que são relevantes e que estão nas dimensões: social e ambiental e acabam secundarizadas, salvo com raras exceções, ou seja, toda tecnologia de PRODUTO e até certas de PROCESSO, precisam atender alguma função econômica primeiro, e, em não o fazendo, não atendem os ditames do modelo para o qual fora concebida. Neste modelo culturas originárias e nucleares sucumbem ao reducionismo da orgia químico-mecânica que se desenvolve, apoderando-se do espaço rural e com isto, o idílico o bucólico e o poético (lugar descrito anteriormente) são excluídos dando lugar ao moderno ao tecnológico e ao industrial. Amplia-se muito a produtividade agrícola e isso é um fato inconteste, como inconteste são, as enormes externalidades econômico-financeiras relacionadas a elevação substancial dos custos de produção com transferência de renda de agricultores para as indústrias que tal modelo ensejou, associado aos inúmeros impactos ambientais. A resultante deste cenário é o desenvolvimento de técnicas complexas e de elevado custo para aquisição, adoção e sobremodo impactantes ao meio e aos humanos. Neste particular o desenvolvimento de moléculas químicas surgidas em meados da I e II grandes guerras mundiais, encontraram seus melhores alvos ou destinação na agricultura (BHC e DDT são dois dos exemplos). A agroquímica foi se desenvolvendo e aperfeiçoou produtos, técnicas e tecnologias de aplicação para o controle de insetos, ácaros, fungos, bactérias, nematóides e as plantas que designam de “ERVAS DANINHAS” ( a este propósito quero reportar nunca haver conhecido ou sido apresentado a uma erva daninha, mas abundaram no caminho pessoas daninhas), enfim, os agrotóxicos passaram a serem eufemisticamente designados de “DEFENSIVOS AGRÍCOLAS” por obvio o significado de tóxicos na agricultura sempre foi por demais difícil de aceitar para a indústria química, muito embora o termo agrotóxico tenha base legal na lei federal (LEI Nº 7.802 DE 11 DE JULHO DE 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências). O uso e a disseminação de tais substâncias (outrora cunhados como defensivos agrícolas e ainda hoje por malabarismo verbal, mantido!) deu-se inicialmente por órgãos de Assistência Técnica e extensão Rural - ATER e Universidades Brasileiras nas décadas de 60, 70, 80 e 90, mais enfaticamente e a partir daí, empresas privadas e as demais mencionadas continuaram a sua disseminação como estratégia central na área da fitossanidade para controle de enfermidades bem como nas áreas de controle e eliminação de plantas designadas de daninhas e em entomologia no controle de insetos, ácaros etc. Este reducionismo e a má vontade na busca pela compreensão do real papel dos seres vivos (inimigos naturais por exemplo) nos ecossistemas naturais e também naqueles modificados – os agroecossistemas, tornaram possível a implementação desta visão única de manejo fitossanitário, mesmo e apesar, de haverem inúmeras outras estratégias conhecidas e eficazes na área retromencionada e mais recentemente até como reação da pesquisa e dos movimentos ambientalistas e também dos consumidores que possibilitaram o surgimento de estudos e investimentos em moléculas naturais com bom incremento dos biodefensivos naturais e a base de microorganismos, caldas naturais entre outras estratégias. Neste trabalho a autora que é Professora, Doutora e atua na área de saúde ao lado de outros colaboradores discorrem aprofundamento sobre percepções, perfil, caracterização, cenários de exposição aos agrotóxicos, históricos por intoxicação, notificações, subnotificações e monitoramento, educação para uso e manipulação de tais substâncias químicas, agricultura ecológica e desenvolvimento sustentável e práticas e iniciativas no Sertão do São Francisco em contraponto ao modelo convencional de agricultura e trazem a lume questões críticas e essenciais para compreensão de leigos e sagrados, acerca de temáticas atuais e prementes a serem objeto de profundo e responsável debate público com vistas a oferecer ao mundo científico informações que se destinam a balizar medidas de políticas públicas regionais e investigações científicas diversas com o claro objetivo de atuar na redução de danos às populações rurais nomeadamente aos trabalhadores rurais aplicadores ou não, expostos direta ou indiretamente à ação dos agrotóxicos bem como, aos consumidores que se expõem diretamente ao consumir produtos agrícolas, cujo limite mínimo estabelecido em norma apropriada de resíduos esteja para além do que a legislação e o monitoramento de resíduos em hortifrútis estabeleça. Por isso o monitoramento e a detecção precoce de lotes de produtos que sejam rastreados de preferência, são tão cruciais pois caso ocorra e seja decorrente de uso, contato, manipulação dos agrotóxicos, ainda que de modo “racional”, possa-se proteger à população e estabelecer responsabilidades e ações educativas e preventivas. A contribuição deste livro é significativa e será aferida pelo impacto que se lhe der no debate público ao lado de sua escrita de qualidade e conjunto informativo - probatório. “O Tempo é senhor da razão” Jairton Fraga Araujo Engenheiro agrônomo D.Sc em Horticultura

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11 Capítulos

Capítulo 1

AGRONEGÓCIO E A FRUTICULTURA IRRIGADA NO VALE DO SÃO FRANCISCO: RISCOS E VULNERABILIDADES OCUPACIONAIS DA AGRICULTURA TRADICIONAL

Barros, Stefânia Evangelista dos Santos
Sousa, Patrícia Shirley Alves de
Martins, Edvania Barbosa da Luz
Silva, Hélia dos Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513221
Capítulo 2

PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO E OCUPACIONAL DE TRABALHADORES RURAIS INSERIDOS EM ÁREAS DE FRUTICULTURA DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Barros, Stefania Evangelista dos Santos
Santos, Mariana Brandt Fernandes
Gonçalves, Thainá da Costa Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513222
Capítulo 3

CARACTERIZAÇÃO DOS AGROTÓXICOS UTILIZADOS EM ÁREAS AGRÍCOLAS DE FRUTICULTURA IRRIGADA DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Barros, Stefania Evangelista dos Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513223
Capítulo 4

CENÁRIO DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AOS AGROTÓXICOS ENTRE TRABALHADORES AGRÍCOLAS INSERIDOS EM ÁREAS DE FRUTICULTURA IRRIGADA DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Barros, Stefania Evangelista dos Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513224
Capítulo 5

HISTÓRICO DE INTOXICAÇÃO POR AGROTÓXICOS ENTRE TRABALHADORES AGRÍCOLAS DE FRUTICULTURA IRRIGADA NO VALE DO SÃO FRANCISCO

Barros, Stefania Evangelista dos Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513225
Capítulo 6

PERCEPÇÃO DE TRABALHADORES AGRÍCOLAS SOBRE O RISCO DA MANIPULAÇÃO DE AGROTÓXICOS: CONHECIMENTOS E PRÁTICAS

Siqueira, Vitória de Barros
Rocha, Alaine Souza Lima
10.37885/230513226
Capítulo 7

SUBNOTIFICAÇÕES DOS CASOS DE INTOXICAÇÃO EXÓGENA E MONITORAMENTO PELOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE

Santos, Kamila Juliana da Silva
10.37885/230513227
Capítulo 8

PERCEPÇÃO DO RISCO PARA SAÚDE RELACIONADO À MANIPULAÇÃO DE AGROTÓXICOS PELOS TRABALHADORES AGRÍCOLAS EM ÁREAS DE FRUTICULTURA IRRIGADA DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Barros, Stefania Evangelista dos Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513228
Capítulo 9

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO CONTINUADA ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE PARA UMA QUALIFICAÇÃO NO ATENDIMENTO DOS QUADROS DE INTOXICAÇÃO ENTRE POPULAÇÕES EXPOSTAS AOS AGROTÓXICOS

Cavalcanti, Ivana Caroline Lima
Sousa, Patrick Leão Carvalho de
10.37885/230513229
Capítulo 10

AGRICULTURA ECOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL

Barros, Stefania Evangelista dos Santos
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513230
Capítulo 11

EDUCAÇÃO EM AGROECOLOGIA: PERCURSO HISTÓRICO, INICIATIVAS E PRÁTICAS NO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO (BA/PE)

Medeiros Junior, Elias Fernandes de
Barbosa, Fábio José de Matos
Barros, Stefânia Evangelista dos Santos
Nunes, Xirley Pereira
Freitas, Helder Ribeiro
Moreira, Márcia Bento
10.37885/230513231