TEORIA DA TRANSFERÊNCIA ESTENDIDA: A PSICANÁLISE E O SUJEITO NA ERA DIGITAL



TEORIA DA TRANSFERÊNCIA ESTENDIDA: A PSICANÁLISE E O SUJEITO NA ERA DIGITAL
Ricardo Furtado Rodrigues

30/12/2025
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O presente capítulo propõe e fundamenta a Teoria da Transferência Estendida, uma ampliação do conceito clássico de transferência psicanalítica adaptada às condições de subjetivação da era digital. Considera-se que o sujeito contemporâneo, imerso em uma cultura de hiperconexão e constante exposição ao olhar do Outro virtual, estabelece novos modos de relação transferencial mediados por tecnologias. Redes sociais, algoritmos e inteligências artificiais não apenas configuram ambientes de interação, mas também emergem como entidades simbólicas e afetivas, investidas libidinalmente e dotadas de função psíquica no campo do desejo e da repetição. A partir de uma abordagem teórico-clínica qualitativa, o estudo articula as formulações freudianas e lacanianas sobre a transferência, entendida como fenômeno de repetição e relação com o sujeito-suposto-saber, às teorias contemporâneas da subjetividade digital (Bauman, Han, Turkle, Hermann, Zuboff). Propõe-se que o digital, longe de ser mero meio de comunicação, opera como novo espaço transferencial, no qual o inconsciente se manifesta por meio de vínculos com objetos virtuais, perfis, avatares e algoritmos que ocupam lugares de idealização, controle e desejo. Conclui-se que compreender e manejar tais fenômenos é condição indispensável para que a psicanálise preserve sua potência interpretativa diante das novas configurações do sujeito hiperconectado, cuja subjetividade se constitui em diálogo constante com o Outro algorítmico.
Ler mais...Transferência estendida; Subjetividade digital; Inconsciente algorítmico
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