O MITO DO BOTO E O DISCIPLINAMENTO SIMBÓLICO DO CORPO FEMININO: PODER, MEMÓRIA E COLONIALIDADE DE GÊNERO NA AMAZÔNIA RIBEIRINHA



O MITO DO BOTO E O DISCIPLINAMENTO SIMBÓLICO DO CORPO FEMININO: PODER, MEMÓRIA E COLONIALIDADE DE GÊNERO NA AMAZÔNIA RIBEIRINHA
Arthur Ponté Rinco
Lara Casarim Leite

21/09/2026
8-30
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Este capítulo analisa criticamente o mito do Boto cor-de-rosa na tradição oral amazônica como narrativa cultural complexa, compreendendo-o simultaneamente como patrimônio imaterial brasileiro e como possível mecanismo simbólico de controle da sexualidade feminina, da honra familiar e dos corpos das mulheres ribeirinhas. Partindo de um diálogo entre Folclore, Antropologia, História, Sociologia, Educação, Estudos de Gênero e Estudos Decoloniais, o texto problematiza a hipótese de que o mito, ao explicar gestações fora do casamento pela intervenção de um ser encantado, pode ter operado, em determinados contextos históricos e sociais, como dispositivo de absolvição masculina e de vigilância da circulação das mulheres, sobretudo no período noturno. Sem descaracterizar o valor do Boto como acervo de memória coletiva e identidade amazônica, a análise articula as categorias de poder simbólico, colonialidade de gênero e interseccionalidade para evidenciar como o disciplinamento dos corpos femininos se entrelaça a processos mais amplos de colonialidade do poder e de invisibilização histórica das mulheres indígenas, negras e ribeirinhas. Por fim, discutem-se ressignificações contemporâneas do mito na literatura, no audiovisual, na educação e nos movimentos feministas e culturais, defendendo-se que as narrativas populares constituem espaços de disputa de memória, identidade e resistência, e não meros registros folclóricos neutros destinados ao entretenimento.
Ler mais...Boto cor-de-rosa; Folclore amazônico; Colonialidade de gênero; Disciplinamento do corpo
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