MORCEGOS NO CEARÁ: ECOLOGIA, CONSERVAÇÃO E RAIVA SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA

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Título

MORCEGOS NO CEARÁ: ECOLOGIA, CONSERVAÇÃO E RAIVA SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA

Autores:
  • Katariny Michelle de Araújo Pinheiro Tavares

  • Carlos Henrique Alencar

DOI
  • DOI
  • 10.37885/260822735
    Publicado em

    01/10/2026

    Páginas

    56-78

    Capítulo

    3

    Resumo

    Morcegos desempenham funções ecológicas essenciais: controle de insetos, polinização, dispersão de sementes e ciclagem de nutrientes, mas sua associação à raiva alimenta medo, estigmatização e extermínio, ainda que apenas três das 186 espécies brasileiras sejam hematófagas. Esta revisão narrativa e documental teve como objetivo contextualizar essa importância ecológica e descrever a situação epidemiológica da raiva no Ceará sob a perspectiva da Saúde Única. Foram consultados PubMed, BVS/LILACS, SciELO e documentos oficiais; 21 artigos compuseram a síntese, somados a 10 fontes complementares. No Ceará, a heterogeneidade entre Caatinga e áreas urbanas amplia o contato entre morcegos e população. A raiva, embora quase sempre fatal, é plenamente prevenível, exigindo comunicação de risco sem estigmatização. Entre 2003 e 2023, 1.377 de 19.249 amostras animais foram positivas (7,2%), com morcegos predominando entre os silvestres (60,5%; APC = 8,78%; p = 0,03). Em Fortaleza, a positividade média foi de 14% (2013–2022), com 11 casos identificados entre janeiro e maio de 2026. No Ceará foram registrados sete casos de raiva humana (2008–2025) e 592.676 atendimentos antirrábicos pós-exposição (2007–2024). Enfrentar esse cenário exige vigilância territorial integrada, da notificação comunitária ao diagnóstico laboratorial, orientações práticas sobre o contato com morcegos e educação ambiental capaz de reduzir mitos sem comprometer a conservação. Conclui-se que a Saúde Única, ao articular vigilância, prevenção, conservação e comunicação de risco, oferece caminho concreto para reduzir a raiva no Ceará sem comprometer a biodiversidade sustentada pelos morcegos.

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    Palavras-chave

    Morcegos; Raiva; Saúde Única; Vigilância Epidemiológica

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