ENTRE O LEMBRAR E O CRIAR: A MEMÓRIA COMO PERMANÊNCIA NA ARTE DE FRIDA KAHLO



ENTRE O LEMBRAR E O CRIAR: A MEMÓRIA COMO PERMANÊNCIA NA ARTE DE FRIDA KAHLO
Jucelito Antônio Alba Filho
Paulo Fachin
Valdirene Aparecida Cotta

30/12/2025
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O presente artigo tem como objetivo compreender de que maneira Frida Kahlo transformou suas dores físicas e emocionais em obras de arte, relacionando tais expressões às teorias da memória. A pesquisa parte da compreensão de que lembrar não é simplesmente reter o passado, mas recriá-lo, ressignificando o vivido pela arte. A questão que norteia o estudo — de que forma Frida Kahlo converteu a dor em memória e arte — orienta a análise da artista como sujeito que, ao transformar o sofrimento em narrativa visual, fez de sua obra um testemunho de permanência e de reconstrução identitária. Fundamenta-se teoricamente em autores como Le Goff (1990), Candau (2011), Ricoeur (2007), Halbwachs (2006) e Benjamin (1994), que compreendem a memória como processo criativo, no qual recordar é também reinventar o passado. Nessa perspectiva, a memória se configura como um ato de elaboração e resistência, sendo a arte o espaço onde lembrança, esquecimento e imaginação se entrelaçam. A análise de obras, como La Columna Rota (1944) e Las dos Fridas (1939), permite observar como Frida utiliza o corpo como suporte simbólico da memória, expressando em imagens suas dores físicas, rupturas afetivas e dilemas identitários. O corpo ferido e fragmentado nas telas se torna território da lembrança, convertendo a vulnerabilidade em força criativa e a dor em linguagem pictórica. Por meio da cor, da forma e do gesto, a artista reorganiza suas experiências e transforma o trauma em símbolo, revelando que o ato de criar é também um modo de recordar e sobreviver. Assim, a pintura de Kahlo transcende a estética e adquire caráter existencial, tornando-se um meio de reelaboração da dor e de afirmação da vida.
Ler mais...Frida Kahlo; Reconstrução; Imagem; Memória; História
CORPOS QUE ESCREVEM (RE)EXISTÊNCIA: LITERATURA COMO ESPAÇO DE ENFRENTAMENTO E AFIRMAÇÃO IDENTITÁRIA
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