COMPOSIÇÃO DA COMUNIDADE DE AVES DA MATA DO BURAQUINHO, JOÃO PESSOA, PARAÍBA



COMPOSIÇÃO DA COMUNIDADE DE AVES DA MATA DO BURAQUINHO, JOÃO PESSOA, PARAÍBA
Antônio Cláudio C. Almeida
Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa
Diego Mendes Lima
João Luiz Xavier do Nascimento
Rachel Maria de Lyra-Neves
Wallace Rodrigues Telino-Júnior

09/04/2026
267-295
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O Refúgio de Vida Silvestre Mata do Buraquinho é um fragmento de Mata Atlântica ilhado por um centro urbano, na Cidade de João Pessoa, Paraíba. Objetivou-se realizar um inventário a fim de obter a composição e estrutura da avifauna da Mata do Buraquinho, no período entre 2013 e 2014. Adicionalmente utilizamos dados de captura realizados por W.R.T.J, R.M.L e J.L.X.N, entre junho de 1997 e agosto de 1998, para compor a lista de espécies deste trabalho. Contudo, estes dados não foram utilizados nas análises estatísticas. Identificou-se 113 espécies pertencentes a 43 famílias. Foram registradas seis espécies com registros atuais em alguma das categorias de ameaça de extinção, o gavião-gato-do-nordeste Leptodon forbesi (Swann, 1922) (EN), arapaçu-rajado-do-nordeste, Xiphorhynchus atlanticus (Cory, 1916) (VU), bico-virado-miúdo, Xenops minutus alagoanus Pinto, 1954 (VU), pintor Tangara fastuosa (Lesson, 1831) (VU), apuim-de-cauda-amarela, Touit surdus (Kuhl, 1820) (VU) e anambezinho, Iodopleura pipra leucopygia Salvin, 1885 (EN). Documentamos os registros históricos de duas espécies ameaçadas que tiveram sua extinção local: a choca-da-mata Thamnophilus caerulescens pernambucensis (Naumburg, 1937) (VU) e o barranqueiro-do-nordeste Automolus lammi Zimmer, 1947 (EN). As espécies que apresentaram maiores índices pontual de abundância foram, Thraupis palmarum (Wied, 1821) (1,01), Vireo chivi (Vieillot, 1817) (0,90), e Thraupis sayaca (Linnaeus, 1766) (0,78). O índice de diversidade de Shannon-Weaner foi de H’=3,65, e a equidistribuição (E=0,81). Quanto à dieta 41,6% das espécies são insetívoras, as quais constituem 4,65 da média de abundância que corresponde a 424 contatos, já as onívoras (29,2%), tiveram uma média de abundância de 4,31 com 392 contatos. Quanto à dependência do uso do habitat, 36% estão categorizadas como semidependentes e 36% como dependentes, respectivamente apresentam médias de abundância de 4,74 com 431 contatos e 4,54 com 413 contatos, as demais espécies corresponderam aquelas consideradas independentes, 28% com média de abundância de 1,34 com 122 contatos. Com relação à sensibilidade aos distúrbios no hábitat, registrou-se que 66,3% foram categorizadas como de baixa sensibilidade, 29,2% com média sensibilidade e 4,5% com alta sensibilidade. Apesar de ainda ser verificada a presença de espécies sensíveis aos distúrbios ambientais, bem como as dependentes de floresta e ameaçadas de extinção, percebe-se uma baixa abundância relativa destas na Mata do Buraquinho. O atual estado de conservação deste fragmento inspira a necessidade urgente de uma política de conservação que envolva o manejo sustentável da área, para manutenção da avifauna, com possíveis corredores ecológicos.
Ler mais...Avifauna; Fragmento florestal urbano; Mata Atlântica; Guildas tróficas
MATA DO BURAQUINHO: HISTÓRIA, AMBIENTE, BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO
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